Pocema nostálgica que me corroe, rouba o meu presente.
Suga meu ar, meu viver.
Faz correr em linha reta, sem interrupções, solidifica a rotina.
Os objetos se fundem ao ar, e junto as pessoas , são suas vozes que me parecem reais, só as vozes me lembram de que, eu também possa ser real.
Bruna
Agora concedo espaço alheio :
Acordar, viver
Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea.
Carlitchos Drumondis de Andrad´s
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